segunda-feira, 21 de abril de 2014

Esporte sem Luciano não Valle!

Gláucia Lima
Luciano do Valle: Morre o narrador esportivo que revolucionou o esporte na TV aberta - *04/07/1947 - †19/04/2014
Espírito vibrante, indescritível capacidade de prender a atenção e fazer apaixonar pelo esporte...
Luciano do Valle foi quem me apresentou o futebol, quando menina, no interior do Ceará, via e vibrava com ele na Copa de 1978.
Todas as Copas via com ele narrando, se o jogo fosse visto na minha casa, era ele quem transmitia!
Nunca mais a Copa será igual...

***
A lista de desfalques para a Copa do Mundo ganhou mais um nome. Mas não há mais nada o que fazer para que este craque esteja no próximo Mundial. Luciano do Valle faleceu de forma fulminante neste sábado, aos 66 anos, após sofrer um enfarte enquanto voava para mais uma transmissão no microfone da Band, que ele transformou no "Canal do Esporte" nos anos 1980. Foram oito Copas pela TV na voz de um dos maiores narradores da história do País.
Boa parte da cultura esportiva brasileira de hoje deve-se a Luciano do Valle. Na lista das modalidades que devem muito a ele estão o basquete feminino, o vôlei, o futebol feminino e o boxe. Foi ele também o responsável por abrir as portas do Brasil à NBA, ao futebol americano e à Fórmula Indy, por exemplo.

Luciano começou a carreira cedo, na Rádio Educadora, em Campinas, sua cidade natal. Logo estava na Rádio Brasil, ainda em Campinas. A primeira aventura em São Paulo foi na Rádio Gazeta, a convite do lendário narrador Pedro Luiz. Em 1968, mudou-se para a Rádio Nacional (atual Globo).
Ele chegou na TV em 1974, pela própria Globo. Ali, substituiu Geraldo José de Almeida no posto de titular, na fase pré-Galvão Bueno. Pela emissora carioca, narrou o segundo título de Emerson Fittipaldi na Fórmula 1, naquele ano de 1974 mesmo. Foi titular dessas transmissões até 1982.
Em 1982, teve uma das maiores audiências da TV brasileira, uma vez que a Globo tinha a exclusividade da Copa da Espanha. Foi a partir da voz dele que o Brasil sofreu com os gols de Paolo Rossi no fatídico jogo que tirou a seleção do Mundial. Na Globo foram duas Copas (1978 e 1982) e duas Olimpíadas (1976 e 1980).
Quando saiu da Globo, teve uma rápida passagem pela Record, organizando, com a ajuda da emissora, o jogo de vôlei entre Brasil e União Soviética, no Maracanã, que se tornou um divisor de águas no esporte brasileiro e que detém, até hoje, o recorde de público numa partida de vôlei.
Luciano chegou à Band em 1983, iniciando o período de cerca de uma década de grande reformulação na transmissão esportiva na TV. De cara ele criou o "Show do Esporte", levando, para a TV, as jornadas esportivas do rádio. Em 10 horas de programação, não faltava espaço para outras modalidades.
Foi assim que Luciano foi precursor nas transmissões da Fórmula Indy, a partir de 1985, narrando o título de Fittipaldi em 1989. Foi a partir da voz dele que o Brasil acompanhou a rivalidade entre as equipes de Hortência e Paula, que, juntas, ganharam o Pan de 1991 em Havana e o título mundial de 1994. Ele, lógico, narrou as duas conquistas.
Luciano foi uma espécie de promotor de Maguila, principal peso pesado brasileiro da história. O narrador se arriscou até de treinador, comandando a seleção brasileira de masters na Copa Pelé, evento criado pelo próprio. Djalma Dias, Carpegiani, Edu, Rivellino e Jairzinho estavam entre os comandados por eles em 1991.
O narrador fez diversas apostas, a maior parte delas acertadas. Bancou a transmissão do Campeonato Paulista de Aspirantes, de diversas competições de futebol feminino (até hoje a Band organiza uma competição internacional entre seleções), popularizando nomes como Sisi, Kátia Cilene e Formiga e até jogos de sinuca, tornando Rui Chapéu famoso no Brasil.
Acertou principalmente quando passou a transmitir a NBA no País, em 1987, pegando a época em que brilhava o Chicago Bulls de Michael Jordan. Sempre com o apoio de narradores como Álvaro José e Téo José, abriu espaço até para o futebol americano no Brasil.
Foi Luciano, também, quem criou diversos modelos bem sucedidos para a TV. Um deles foi o Verão Vivo, transmitido de postos da Band no litoral brasileiro, misturando competições esportivas e eventos culturais. Outro foi o Apito Final, programa de debate esportivo após a rodada do futebol, reunindo personalidades da modalidade. É a base do modelo de mesa redonda que fez muito sucesso nas últimas duas décadas.
A lista de feitos de Luciano do Valle é enorme. Comandou programa de variedades (Valle Tudo), transmitiu carnaval e até programa matinal (Tudo em Dia). No início de 2012, teve um AVC que o obrigou a passar por sessões de fonoaudiologia, para reaprender a falar. Ele tentou voltar rapidamente às transmissões e, durante um Santos x Palmeiras, errou quase tudo, virando motivo de chacota nas redes sociais.
Mesmo assim, só mais de um ano depois revelou o AVC. Apesar de estar com a saúde debilitada, o narrador não se afastou das transmissões, comandando sempre a partida principal do fim de semana na Band. Depois, ficou um tempo fora por conta de uma operação na bexiga, que o tirou da cobertura dos Jogos de Londres/2012 pela Bandsports. Seu último trabalho foi no título paulista do Ituano, nos pênaltis, sobre o Santos.
'Sua voz fará muita falta', Lula exalta Luciano do Valle
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentou neste sábado, por meio de nota oficial distribuída pelo seu instituto, a morte do locutor Luciano do Valle, que faleceu na última tarde após passar mal durante um voo que o levava de São Paulo para Uberlândia, onde trabalharia na transmissão da partida entre Atlético-MG e Corinthians, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro.
Lula exaltou o carisma que o narrador tinha e a sua indiscutível competência na arte de transmitir emoção aos seus telespectadores. "Luciano do Valle era querido e admirado pela sua capacidade de emocionar o telespectador através do esporte. Na sua voz, milhões de brasileiros compartilharam emoções e viveram grandes conquistas esportivas", afirmou o ex-presidente, que ainda recordou o fato de que recentemente esteve com o jornalista.
"Nos encontramos a última vez há cerca de um mês e ele estava muito empolgado em narrar uma Copa do Mundo pela primeira vez em seu país. Era o Luciano que todos conhecem da TV: alegre, carinhoso, otimista, incansável. A sua voz fará muita falta. Nesse momento de tristeza, nos juntamos em solidariedade aos familiares, amigos, colegas de trabalho e a todos que admiravam Luciano do Valle", afirmou Lula, em nota assinada em conjunto com a sua esposa, Marisa Letícia

Luciano do Valle morreu sem realizar seu grande sonho
Familiares, amigos e fãs de Luciano do Valle, que morreu no último sábado (19) após passar mal durante um voo para Minas Gerais, se despediram do narrador neste domingo (20). O corpo do jornalista foi velado durante toda a manhã na Câmara dos Vereadores de Campinas, cidade onde nasceu e deu início à carreira profissional. 
Casada com Luciano da Valle há 10 anos, Flávia estava muito emocionada. Ela revelou que o narrador morreu antes de realizar o seu maior sonho, que era o de fazer a cobertura dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.
"As Olimpíadas eram o maior sonho dele. Ele estava muito focado na Copa, porque sabia que ia ser um trabalho muito diferente, mas estava radiante por causa das Olimpíadas. Ele promoveu tantos esportes no país, tanta gente que ele colocou para cima. Ele foi tão visionário e corajoso de colocar esses projetos no ar. É o que ficou faltando, a cobertura dos Jogos", disse Flávia aos jornalistas presentes no velório.
"Ele sempre foi muito disposto a ensinar. Quem colasse do lado dele e pedisse uma força, ele fazia. Muitos profissionais chegavam para ele e perguntavam: 'Como eu devo narrar um gol?'. Ele dizia: 'Com o coração'", completou a viúva.
Quem também estava muito abalado era o ex-jogador Neto, companheiro de Luciano do Valle nas transmissões esportivas da Band há 12 anos. Desolado, o ex-atleta ficou durante alguns minutos em silêncio, olhando para o caixão e chorando bastante. "Eu não perco só um companheiro. Perco uma pessoa que me ajudou a ser o comentarista que sou hoje. O legado que ele deixa para nós é imenso. Ele foi um visionário. Infelizmente, teve que morrer para as pessoas entenderem a força dele. Ele não sabia o amor e respeito que as pessoas tinham por ele", disse Neto

Além de Neto, outros colegas de Luciano fizeram questão de dar o último adeus ao dono de uma das vozes mais importantes da história da televisão brasileira. "A gente conviveu bastante. O Luciano começou um pouco antes de mim, uns três ou quatro anos, mas ele fazia parte da minha turma. Ele foi para um lado, eu fui para outro. Só comecei a narrar futebol em 1982, e o Luciano já fazia desde os anos 80. Era uma referência. Aquela narração do gol do Zico (contra a Iugoslávia, antes da Copa do Mundo de 1986) é de arrepiar", relembrou o narrador Oliveira Andrade.
O velório do locutor, que é aberto ao público, segue até o fim da tarde, quando o corpo será levado ao Cemitério Parque Flamboyant, local onde será enterrado. Luciano do Valle morreu aos 66 anos, após passar mal em um avião. Ele chegou a ser socorrido em Uberlândia e levado para um hospital da cidade, mas morreu pouco tempo após dar entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

_Fontes diversas

domingo, 20 de abril de 2014

Cuba: os novos desafios da revolução *

A queda de 1989 não foi uma derrota militar. A URSS se desintegra e desaparece de cena, não porque lhe lançaram mísseis nucleares ou bombas atômicas, mas porque perdeu a confrontação no terreno ideológico, dos valores, da ética e da cultura. Todo mundo viu pela televisão as imensas filas nos Mcdonalds que, após a caída do Muro do Berlim, faziam os habitantes desses países, crendo ilusoriamente que nesses hambúrgueres indigestos iam encontrar a utopia e o projeto de vida que não lhes proporcionavam os regimes burocráticos do Leste Europeu.
Evidentemente, ali não se pôde criar a nova subjetividade e a nova cultura que tanto reclamava Che Guevara, nem a hegemonia socialista que pensava Antonio Gramsci. O marxismo oficial desses países já não tinha nem a autoridade, nem o poder de convencimento, que nunca deveriam ter perdido. Como alertava Roque Dalton, nós, marxistas revolucionários, podemos aceitar todas as clandestinidades, menos a clandestinidade moral (NESTOR KOHAN, 2005).

O CONTEXTO DAS MUDANÇAS
A revolução cubana tem demonstrado, ao longo de mais de meio século, uma grande resistência à invasão promovida desde os EUA, ao bloqueio contra a ilha e às centenas de ataques terroristas, que vitimaram mais de 3000 civis cubanos. Com a queda da URSS e dos regimes do leste europeu, Cuba segue em pé e para tal teve que buscar seu próprio modelo econômico e as transformações necessárias. Em 1991, quando foram arriadas as bandeiras da URSS, surgiu a “teoria” das circunstâncias. Segundo esta, a diligência soviética provocaria um tabuleiro de dominó: tocou-se a primeira peça e, em cadeia, todas as demais iriam caindo. Nessa lógica, Cuba também deveria sucumbir. Entretanto, quem imagina que Cuba alguma vez esteve estagnada ou impotente diante das crises, desconhece a determinação dos cubanos. Como aponta o professor Luiz Carlos de Freitas, o desaparecimento da URSS não foi uma derrota do projeto socialista, mas dos liberais socialistas, que ficaram prisioneiros da própria proposta de transformação do Estado, levando o socialismo nos países da região para o campo das teses do liberalismo.
Na última década do século passado, Cuba passou por uma etapa particularmente complexa como nação, denominada eufemisticamente de Período Especial em Tempos de Paz, ocasião em que, muitos disseram: “Cuba não cai porque não tem para onde cair”. Permeado por câmbios em todas as esferas da sociedade, esse contexto foi desencadeado pelo desmoronamento do antigo campo socialista e dos signatários do Consejo de Ayuda Mutua Económica (CAME), com os quais o país mantinha relações comerciais que alcançavam um percentual significativo de aproximadamente 85%, tanto na importação como na exportação.
A recuperação de Cuba baseou-se em dois eixos: o desenvolvimento do turismo, por falta absoluta de outra saída, e o investimento em biotecnologia. O país se obrigou, em razão da perda de seus mercados do açúcar, a fechar a maior parte das centrais açucareiras e, bruscamente, os campos de cana forma convertidos em culturas de subsistência.
O turismo, na forma atualmente desenvolvida, não foi uma opção do governo, do Estado ou da revolução cubana. Essa constituiu a única solução, quando no começo da década de 90, Cuba estava praticamente sem o mínimo combustível necessário. As cidades às escuras com apagões, algumas indústrias, termoelétricas e fábricas fechadas, pois o fornecimento (compra) de petróleo da antiga URSS acabou e nenhum país queria vender petróleo a Cuba, que não dispunha da suficiente entrada de divisas em moedas fortes para buscar no mundo o que era necessário. Provavelmente, poucos países teriam resistido a condições tão adversas. A recuperação, que veio em um crescente de 1994 a 2003, foi combinada com as estratégias internas e com condições externas favoráveis: as mudanças nos governos de direita na América Latina, para regimes de centro e centro-esquerdo, assim como a radicalização do governo na Venezuela. A China atualmente é a maior parceira comercial de Cuba.
Tal como mostram estudos de muitos analistas, incluindo aqui os adversários do povo cubano – reacionários burgueses e esquerdistas –, Cuba tem devolvido um sistema de saúde e educação universais, apesar de todas as pressões. Nas questões de segurança, Cuba é uma dos países do mundo com baixíssima criminalidade. O formato societário cubano não inclui a incerteza brutal que nos mantém em estado de alerta contra assaltos à mão armada, sequestros, balas perdidas e outras formas de crimes frequentes nos países alinhados ao capitalismo da era globalizada.
Esta análise não exclui o registro da precariedade de moradias, especialmente nas zonas de grande concentração urbana de Havana, as deficiências no abastecimento de água e energia elétrica, as dificuldades no serviço de transporte e no recolhimento de lixo urbano. Salienta-se ainda que as limitações engendradas na crise surgida com o Período Especial não acarretaram o abandono de prédios escolares, o fechamento de hospitais, o fenômeno dos “meninos de rua” e de populações excluídas pelo sistema de saúde.
É precisamente sua habilidade em atender às demandas necessárias, porque o povo detém o poder, que a revolução dá respostas às suas necessidades. Enquanto muitos regimes caíram nas urnas ou foram derrotados no terreno ideológico, dos valores, da ética e da cultura, a Ilha se mantém firme na construção de seu socialismo, tão autóctone quanto as suas palmeiras.
Apenas para citar algumas iniciativas, em 2007, a frota dos ônibus da Viação Astro, disponível à população, foi totalmente remodelada com novas unidades. O governo cubano adquiriu da China, entre 2001 e 2002, um milhão de televisores em cores, o que, para uma população de pouco mais de dez milhões de habitantes, atinge potencialmente cerca de um terço dos domicílios. Não se trata simplesmente de uma compra isolada, mas o reconhecimento do novo papel da televisão dentro de um conjunto de medidas para enfrentar os novos desafios da Revolução Cubana, como parte do movimento de universalização da cultura.
Nos últimos anos todos os refrigeradores antigos fabricados na URSS foram substituídos por novos, vindos de vários países, em especial da China, distribuídos para todas as regiões do país e integralmente (na ilha inteira) as casas receberam o direito de fazer a troca de qualquer refrigerador antigo. Para implementar a racionalização do consumo de energia em 2006, foram distribuídas em todo o país, pois lá a solução não é para beneficiar poucos apenas, panelas elétricas conhecidas como ‘reinas’, o que facilitou muito o trabalho de cozinhar. Para o início do ano escolar de 2003-2004, os programas de computação beneficiavam cem por cento das matrículas de educação básica, incluídas as rurais, com 46290 computadores instalados, para o que foi necessário eletrificar com coletores solares 2368 escolas, das quais 93 contavam com apenas um aluno.
A associação entre Cuba e as empresas de diversos países ocorre dentro do sistema de joint venture, com empreendimentos conjuntos entre o Estado cubano e os empresários do México, Brasil, Itália, França, Portugal, Canadá e Espanha, entre outros, que se dispuseram a enfrentar o bloqueio. Difere de uma sociedade comercial simples, porque se relaciona a um único projeto, onde a associação é dissolvida automaticamente após o término do contrato. As empresas entram com o material de construção, que não há em Cuba, montam o hotel e têm o direito de exploração conjunta com o Estado, por certo tempo. Por exemplo, o Hotel Habana Libre, um edifício de quase 20 andares, que foi construído pela rede Hilton, antes da revolução, foi se deteriorando e não havia de onde obter internamente o necessário para a reforma geral.
Elevadores, carpetes, revestimentos, peças sanitárias e muito mais estavam em franca decomposição, desde o início dos anos 90. Isso tem que pesar nas análises que se faz de Cuba, uma ilha, bloqueada, onde existe muita beleza natural, pouca matéria prima e raras fontes alternativas viáveis de energia. Esse hotel, ainda que integrado à Rede Trip, pertence ao Estado cubano. A cadeia não é proprietária, mas apenas tem o direito de explorar parte do negócio. Quando os cubanos conseguiram – a duras penas – quebrar o bloqueio, que se acirrou fortemente com o fim do CAME e da URSS, e fizeram esses contratos, as brigadas de construção civil foram de imediato a Varadero, uma vez que era uma questão de sobrevivência.
Localizada no privilegiado Mar do Caribe, a amena temperatura e o regime de chuvas tropicais modelaram uma paisagem motivadora, que Cristóvão Colombo, em 1492, descreveu como la tierra más hermosa que ojos humanos jamás vieron. O célebre geógrafo Alejandro Humboldt, no século XVIII, observou as extensas e lindas praias, a diversidade da flora e fauna, como um espaço de abundância e rico em belezas naturais. Nos campos da Sierra de Escambray, entre montes cobertos por uma profusão de palmas reais, o céu é fortemente azul. Apenas quem nunca passou dificuldades na vida pode imaginar que Cuba teria que decretar um auto-bloqueio. Nesse contexto vem uma indagação: de onde Cuba poderia tirar as divisas imprescindíveis ao país, para importar o que a Ilha não produz: trigo, leite em pó, carne bovina, algodão, enfim, tudo que é necessário, abrindo mão do turismo? Cuba é cercada de cayos, conjuntos de pequenas ilhas, mas esses deveriam permanecer desertos?
Em janeiro de 1961, Washington, unilateralmente, ao romper as relações diplomáticas com Cuba, proibiu seus cidadãos de visitar a ilha. As ações exercidas contra Cuba não se enquadram na definição de “embargo”, ao contrário, transcendem e tipificam um bloqueio. No bloqueio, guerra de baixa intensidade, sem bombas e estado de sítio, morte lenta por asfixia, se afeta o comércio, a saúde, a educação e o ensino, o transporte, as comunicações, a tecnologia, a ciência, a produção energética, a produção industrial, a produção agrícola e, certamente, tudo isso incide de forma desfavorável na qualidade de vida do povo. Sobre a Lei de Ajuste Cubano, promulgada em agosto de 1966, mediante a qual os Estados Unidos admitem a entrada ilegal dos cubanos, lhes concede residência e a possibilidade de trabalhar. O seu objetivo é transformar o tema em ferramenta de permanente desestabilização.
Quando entrou em vigor, em 1996, a Lei Helms-Burton, de caráter extraterritorial, estabeleceu a suspensão de fundos às instituições financeiras que fizessem negócios com Cuba. Essa legislação viola não somente as leis internacionais, mas os próprios princípios dos EUA.
Em seu artigo IV – “Proíbe o acesso ao território dos EUA a todos os traficantes: diretores de empresas, assessores, familiares destes, etc”. Este título não pode ser suspenso ou negociado pelo presidente dos EUA, sendo a primeira vez que ao chefe da Casa Branca é retirado o poder no âmbito das relações internacionais. Entre os tais “traficantes” estariam os dirigentes e acionistas das empresas, que fazem negócios com o Estado cubano: Stet/Itália; Demos/México; Sherrit/Canadá; Sol-Meliá/Espanha e Pernod-Ricard/França. Ainda em 1996, a União Européia apresentou uma queixa na OMC contra os EUA, alegando a ilegalidade da lei Helms-Burton, que violaria muitos acordos internacionais sobre o livre comércio, até mesmo os que os próprios EUA haviam forçado aprovação, tempos atrás, em instituições internacionais. Perante esta acusação, os EUA responderam que se condenados pela OMC recorreriam a uma das cláusulas dessa organização que permite não aceitar a decisão, por colocar em perigo a própria segurança nacional.

AS TRANSFORMAÇÕES RECENTES
Cuba está no mundo e com o mundo: somos parte orgânica e protagonista da sociedade planetária que nasce hoje, nos umbrais no novo milênio (CASTELLANOS SIMONS).
No segundo semestre de 2010, o governo cubano anunciou a demissão de 500 mil funcionários dos serviços estatais nos próximos seis meses. Em contrapartida, as autoridades em Havana determinaram a ampliação do número de permissões para se trabalhar por conta própria e abrir pequenas empresas, com medidas para legalizar o que já existe na prática, relativo à utilização de mão de obra para o setor privado. Como foi anunciado, as demissões teriam o objetivo de "suprimir os enfoques paternalistas que desestimulam a necessidade de trabalhar”.
Na percepção de muitos analistas, essas mudanças ocorrem para retirar a população da inércia habitual e mobilizá-la coletivamente, transformando antigos traços culturais de acomodamento e expectativismo em relação à ação paternalista das autoridades. Sem dúvida, há setores onde a indisciplina laboral é grande. Uma pessoa, ao entrar numa loja em Cuba para fazer uma compra, não raras vezes, encontrará vendedores conversando e nenhum disposto a atendê-la. Ou passará pela experiência de ir a um banco no horário de funcionamento e encontrar um aviso na porta: fechado para inventário. Outra coisa são os desvios praticados contra a propriedade comum a todos. Trabalhar numa padaria e vender farinha, numa fábrica de charutos e comercializar desde caixas prontas, até a madeira que seria para fazer as caixas. Isso já foi apontado pelas autoridades e por muitos setores sensíveis da sociedade cubana: o maior inimigo de CUBA não é o imperialismo, mas a corrupção interna.
Segundo as estimativas, 25% da produção nacional atualmente são desviadas para o mercado negro. Aos membros do partido tudo se cobra e por vezes o chefe de uma corporação é penalizado com suspensão de meses, perda do cargo ou até prisão, pelas fraudes praticadas em uma empresa. Os casos de corrupção, em geral, são oriundos de esferas que nada têm com a revolução, com o PCC ou com o socialismo. Recentemente a Folha de São Paulo publicou matéria, apenas mais uma entre as centenas tendenciosas contra CUBA, onde se argumenta que no bairro de Guanabacoa, em Havana, há certa concentração de pessoas que vivem da venda de caixas de charuto. De onde saíram as folhas de tabaco, a madeira, os selos e as fitas?
Segundo eles, são famílias que vivem desse comércio fora das lojas oficiais, como se isso fosse aceitável. É nesse sentido que as reformas devem ocorrer, na tentativa de evitar que a corrupção se expanda nos meios de produção. Os planos atuais não são apenas econômicos, uma vez que envolvem as esferas política, ideológica, social, cultural e comportamental. A participação dos trabalhadores, representativa, substantiva, decisória e cooperativa não está e nem poderia se tornar alheia ao processo que busca a ampliação das bases produtivas do país. A crítica que se faz é justamente essa: durante muitos anos os cubanos se acostumaram ao paternalismo, acomodados à espera dos benefícios vindos de cima.
A escola, em particular, vem apresentando lacunas na formação adequada de indivíduos verdadeiramente motivados à prática laboral. Esse fenômeno atingiria, particularmente, a geração mais jovem nascida após a Revolução, sem memória existencial do passado, acostumada a receber os serviços propiciados pelos organismos estatais, com pouco esforço pessoal. Paradoxalmente, muitas conquistas ocorridas após a Revolução no campo social, como a garantia de pleno emprego, os serviços médicos e educacionais gratuitos, o baixo preço das tarifas de transporte e dos programas culturais, enfim, as políticas de distribuição mais equitativa podem ser consideradas fatores responsáveis pela acomodação e pela indisciplina. Apenas com lições não se forjaria uma nova consciência, uma vez que é necessária participação no esforço coletivo.
Os meios de produção, considerados patrimônios do povo, não estão plenamente tomados pelo esperado sentimento coletivista. Os problemas não ocorreriam apenas pela oposição ao trabalho, porque, como valor, ele é aceito pela sociedade cubana, mas a questão se encontra na interiorização dessa idéia e sua transformação em convicção, que nem todos possuem, muito menos quando essa convicção necessita ser transformada em conduta efetiva. Assim sendo, são os cubanos, protagonistas das lutas de resistência no país, que exigem entre outras transformações, atitudes muito simples, como o cumprimento de horários e responsabilidade no trabalho. Um ponto final no descompromisso e falta de empenho é a tônica das mudanças. Muitas situações de descaso nos ambientes de trabalho são intoleráveis à população local.
A Central de Trabalhadores de Cuba (CTC) recentemente afirmou que o excesso de vagas é de mais de um milhão nos setores orçamentário e empresarial. A CTC alega que "o Estado não pode nem deve continuar a manter empresas com quadro de funcionários inflados, que criam empecilhos para a economia e deformam a conduta dos trabalhadores". A maioria das vagas cortadas será em setores burocráticos do governo, especialmente nos Ministérios do Açúcar, Saúde Pública e Turismo. Aos demitidos serão oferecidas vagas em atividades estatais nos setores com déficit de trabalhadores, como agricultura, magistério, polícia e construção. A idoneidade de cada operário será o quesito analisado para se decidir quem fica no cargo e quem será demitido. Para tal foram criadas comissões de estudo dos casos. Este trabalho de racionalização é uma necessidade imperiosa e será realizado por um grupo de especialistas do movimento sindical. Apenas a título de exemplo: a refinaria que se montará em Matanzas, a partir de 2011, requererá cerca de 5000 construtores.
O que se demonstra com essas medidas é uma nítida tentativa de oposição à irracionalidade burocrática e à tendência de negar espaços aos trabalhadores, que comprometiam de forma negativa os vínculos entre pensamento e ação, acirrando a distância entre as políticas oficiais e as necessidades do país. Ainda que o sistema, nos moldes atuais, apresente uma estrutura centralizadora, as pessoas nunca deixaram de demonstrar a tomada de consciência, quanto ao seu papel crítico aos questionamentos dos determinismos burocráticos, no estilo “se acata, pero no se cumple”, que foi a regra de ouro diante de decretos do colonialismo espanhol.
O governo revolucionário implementou medidas, com o intuito de fazer justiça e de conseguir o máximo de igualdade; entretanto, elas têm sido sistematicamente violadas pela população, uma vez que no entendimento de algumas correntes, as necessidades seriam uma questão de sobrevivência. Movendo-se entre acatar as leis e violá-las, o cubano concebeu um jogo de dupla moral, num par dialético equivocado e numa advertência aos legisladores que não conseguiram ao longo do tempo senão desacreditar a legalidade de algumas medidas concebidas para ser burladas, em razão de sua irrealidade. Por esse motivo, será emitido um número aproximado de 460 mil licenças para os cubanos abrirem seus próprios negócios e mais de cem tipos de atividades profissionais particulares passarão a ser permitidas, uma vez que na prática elas já existem. O propósito de tais mudanças é incrementar a produtividade e a eficiência.
Dentre as atividades amplamente exercidas, mas que não tinham regulamentação, é possível citar: marceneiro, encadernador de livros, encanador, pedreiro, amolador de facas, treinador de animais, cuidador de crianças e de enfermos, eletricista, manicure, cabeleireiro, barbeiro, fabricante de coroa de flores, fotógrafo, jardineiro, instrutor de automóvel, massagista, costureira, alfaiate, pintor, borracheiro, professor de música, professor particular, relojoeiro, consertador de bicicleta, reformador de colchões, consertador de óculos, tapeceiro, sapateiro, entre outras. O que busca o Estado é eliminar a prática comum em outros tempos, dos malfadados inspetores atuando para saber a forma como determinadas atividades se processavam e passar a outro patamar: dar às pessoas o direito de exercerem um trabalho, pagarem seus impostos e seguirem tão comunistas como sempre. Alguns exemplos:
• Na década de 90, quando foram liberados os pequenos restaurantes em casas (os Paladares), apenas se autorizavam 12 lugares para os clientes e a mão de obra no estabelecimento seria restrita ao interior da família, ainda que nem sempre, entre os parentes, haveria pessoas dispostas a participar dessa iniciativa. Isso criou uma situação de ilegalidade aos que trabalhavam nesses locais, sem registro, pois eram inexistentes para o Estado. Com a nova regulamentação, o olho severo prossegue, uma vez que os donos dos Paladares podem atender dispondo somente de 20 lugares e contratar mão de obra, com assentamento legal para os que realizam o trabalho nos referidos restaurantes.
• Outra atividade autorizada nas casas há quase 10 anos, com o pagamento de impostos, é o aluguel de até dois quartos, destinados a quatro pessoas, no máximo. Para tal, o dono da moradia tem que garantir as condições necessárias por lei. Uma delas é que nas residências não vivam menores de 18 anos. Essas normas estão mantidas e a inovação é que o dono da casa poderá contratar mão de obra para ajudar no seu funcionamento, como no caso dos restaurantes caseiros.
• Uma questão complicada nos últimos tempos é a dos táxis, até agora estatais. O uso desse meio de transporte tornou-se sensivelmente abusivo para quem depende dele: embora exista taxímetro, supostamente obrigatório, entre os motoristas há o hábito de não ligá-lo. As corridas ocorrem ao bel prazer e o preço também. E sem ter que nada investir em combustível, na manutenção ou na compra do carro, isso virou um negócio fantástico aos que querem viver de ataque aos bens públicos. A ideia presente nas transformações atuais é entregar o carro, mediante um contrato de venda, ao motorista, que será o proprietário, sem que ele possa vender ou especular com o veículo. E a gasolina também será administrada por conta própria.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na percepção de muitos, que conhecem e acreditam nos esforços de avaliar os erros para não repeti-los, o enfoque das mudanças está centrado no desenvolvimento das forças produtivas com o peso dos elementos históricos, culturais e sociais de Cuba. Essas mudanças em nada afastam o Estado do seu papel no socialismo, em clara contraposição às ações dessa instituição no capitalismo, num grande desafio que todos os marxistas do mundo deveriam assumir como seus. Como pediu Raúl Castro, em discurso pontuado por mensagens dirigidas aos líderes sindicais cubanos, que eles resistam à "tendência perniciosa" de esconder as falhas do regime.
O que se tem em vista é evitar equívocos como a cristalização de princípios, que impossibilite a interpretação da realidade atual, que ignore ou despreze as novas experiências. Nada de omnisciência dos clássicos, de dogmatismo e de extremismos, porque os partidos marxistas–leninistas jamais podem opor os textos à realidade, jamais podem desmentir as contingências que surgem no caminho. Nas palavras do cubano Guillermo Rodríguez Rivera:
Isla que ha sido y es encrucijada, tierra de ingravidez histórica, en la que soplan siempre vientos encontrados, impulsados por la borrasca o la calma del mar inacabable; lugar donde se escucha siempre el canto de las sirenas que nos convoca a ser lo que no somos, los cubanos persistiremos en esa identidad que nos hace incólumes a todas las influencias. Mientras más cerca se halla el cubano de una influencia devastadora, más reciamente se resiste a dejarse dominar por ella. Ahí opera esa ingravidez, esa volubilidad de un país regido por las brisas, por el oleaje del mar que fluye e refluye, siempre capaz de escapar de todo lo que intenta transformarlo, por tener un alma inalcanzable que ni él mismo conoce en su plenitud.











_Fonte: Por *Maria do Carmo Luiz Caldas Leite
http://grabois.org.br/portal/noticia.php?id_sessao=8&id_noticia=4296


sábado, 12 de abril de 2014

Fortaleza – 288 anos: um passeio por suas praias

*Lucas Jr.
No dia 13 de abril de 1726, há 288 anos Fortaleza foi oficializada Vila, reconhecendo o seu surgimento ao lado do Forte de N. Sra. de Assunção, antigo Schoonemborch, pelos holandeses, em 1649. Ou seja, nunca se aceitou a sua origem na Barra do Ceará, que nos tempos de Soares Moreno não passaria de uma base militar, tese que eu discordo, mas respeito. 
Abaixo, um texto publicado em dezembro de 2013 em meu grupo: Relatos Históricos, no Facebook. Apenas para rockeiros malucos e sem miolos como eu. 
A todos os fortalezenses e moradores o meu abraço. Tenho todo o carinho do mundo por esta cidade.
Um Passeio pelas Praias -
Um pedaço da história de Fortaleza 103 anos após a chegada de Cabral ao Brasil, certo português, Pero Coelho, tornou-se o primeiro homem branco a tentar governar o Ceará. Com a família e alguns soldados, entre eles Martim Soares Moreno, jovem de 17 anos, logo teve que retornar por falta de estrutura e vencido pela seca. Habitada por índios, sem apoio da Coroa, foi a última Capitania a se desenvolver, isso porque ora era administrada por Pernambuco, ora pelo Maranhão, tendo um só guerreiro na defesa de ataques de invasores franceses e holandeses: Soares Moreno, que combatia ainda no Maranhão e no RN. 
No que pese a vila tenha nascido na Barra do Ceará, somente após a conquista de Pernambuco pelos holandeses foi que Fortaleza veio a dar os primeiros passos de progresso, quando o governador Maurício de Nassau designou Matias Beck a construir o Forte de Shoonemborch em 1649, tomando a vila quando Moreno se encontrava no Maranhão. Surgia uma fase robusta de uma cidade de perfil comercial e de influência europeia nas proximidades da praia. Passados, porém, alguns anos, os holandeses caíram em PE, e Fortaleza retornou ao comando português, que mudou o nome do forte para Nossa Senhora de Assunção, cuja capela fora fundada bem antes na Barra do Ceará por Soares Moreno. O comércio cresceu e os negócios passaram para a beira da Prainha, onde foram construídos armazéns para estocagens.

No século IXX usava-se trapiches como ancoradouros, depois, em 1906, construíram um “porto”, idealizado por um cearense e um escocês, a Ponte Metálica. Em 1920, porém, a mesma passou por uma reforma radical, mudando de nome para Ponte dos Ingleses, numa alusão aos engenheiros estrangeiros que comandaram os trabalhos.
De Prainha para Porto das Jangadas, Praia do Peixe, nos dialetos Graúça, a Praia de Iracema foi soberba ao denominar suas ruas aos donos da terra, às tribos Potiguaras, Tabajaras, Groairas, Tremembés, Guanacés...


Mesmo após a construção do Porto do Mucuripe, em 1938, bem adiante, que lhe trouxe destruição com avanço do mar, deixou de ter seus encantos. E jamais deixará de ser a Praia dos Amores.
Em 4 de junho de 1937 aterrizou no campo do Cocorote, no Alto da Balança, onde hoje se localiza a Base Aérea, a famosa aviadora americana Amelia Earhart, que estava dando a volta ao mundo num Electra, escalando Fortaleza em sua rota. Hospedou-se no Hotel Excelsior, no Centro, e saiu registrando fotos históricas de uma cidade que vivia uma fase de profunda influência da cultura parisiense, conhecida como Belle Epoque.
Encantou-se com a Praia de Iracema. Partiu para Natal, de lá foi para a África, desaparecendo no mar nas proximidades das ilhas do Pacífico Central. Nunca encontraram seu corpo.

Durante a Segunda Guerra Mundial os EUA fundaram na cidade uma base para oficiais, alugando o prédio da Vila Morena, pertencente à família Porto, que mais tarde passou a chamar-se Estoril, aquele mesmo na Praia de Iracema.
Povo de fora, fardado, logo chamou a atenção das jovens da sociedade. A Vila Morena virou um cassino e as meninas objeto dos estrangeiros. Para os carnavais fundaram o bloco das Coca-Colas, à frente, as garotas dos americanos, para a tristeza dos rapazes cearenses e dos pais envergonhados. A bem da verdade, a marca do refrigerante chamava atenção porque só era encontrada com os gringos.

Voltei ao tempo, pois quero entrar na minha época na certeza de que pisei no mesmo chão que os ilustres que ajudaram a fazer a história de minha terra. E começo o passeio pela Ponte dos Ingleses, onde muitas vezes eu e meus amigos levamos gravadores para “viajarmos” nas batidas das ondas e na vista encantadora da cidade. Se os europeus tomaram uísque ali, nós ingerimos muita cachaça ao som de thrash metal. Ao lado o Bar do Pirata, uma aventura turística-sexual às segundas-feiras. Nunca me interessei por aquilo.
Depois havia o Cais Bar, já nos anos 90. Eu fazia faculdade e sempre encontrava meus professores por lá. Local de forte boemia, não era para mim não, mas havia um prato chamado Pedacinho do Céu que me encantava. Foi onde conheci o psiquiatra e cronista Airton Monte, de uma inteligência e distinção fora do comum. (Ser ¡Voz! AÍRTON MONTE - 1949/2012 http://glaucialimavoz.blogspot.com.br/2012/09/airton-monte-19492012.html)
Mais um pouco e estamos na Beira Mar de Iracema, Praia do Ideal, boa para o surf, atraindo mulheres bonitas! Matei muitas aulas para tomar banho lá... 
Praia dos Diários, Praia da AABB, começavam as barracas. Havia uma que nós frequentávamos quando voltávamos da "Feirinha da 13 de Maio" ou de casas de amigos, chegando já “melados”. O vendedor era gente boa e deixava a turma ouvir som alto. E o pau rolava a noite toda com direito a banho de mar. Encontrei um camelô na calçada que vendia cana artesanal, sendo que uma se chamava “Amansa Corno”, tida como violenta. Comprei uma e coloquei debaixo do banco do Opala de meu pai. Mas esqueci da bichinha ao chegar em casa. De modo que no outro dia, quando papai freou o carro a maldita deslizou aos pés dele mostrando a foto de um chifrudo. Ele voltou pra casa feito uma fera, indo tomar satisfação com a inocente da mamãe. Felizmente eu estava lá na hora e disse que o capeta era meu... 
Praia do Náutico, puro comércio e vadiagem. 
Volta da Jurema e seu “calçadão” tomado de barracas de caipirinha. Parecia que toda a juventude da cidade estava ali, uma multidão. Certa vez a polícia fez uma batida e prendeu muita gente, baseados e drogas afins. Aquelas barracas comercializavam de tudo, e aos poucos foram se extinguindo. Havia um hippie que desenhava as faces dos clientes em papel de cartolina, ilustrando o Jander (com quem criei um fã-clube) e eu, bem legal. Quis o destino, porém, que eu encontrasse a figura no ano passado, agora bem séria, distinta, na Praça do Ferreira. No outro dia levei a gravura e a fixei na sua cara. Ele tomou um susto: “quem desenhou fui eu, mas não sei quem são esses caras não...” Um pouco depois havia o bowl de skate onde dei um mosh (pulo) alucinado de tanto mel; e ao lado o restaurante Aquários, voltado aos seresteiros, casais de terceira idade e assediado por prostitutas. Acabou sendo vendido para construção de um prédio de luxo. 
Depois vem a turma de pescadores com seus barcos e jangadas, início da Praia do Mucuripe, fim da minha jornada. Quando eu morava no Papicu perdia o horário do ônibus e voltava a pé, dobrando na estátua de Iracema, no Mucuripe. Antes de construírem o hotel da esquina havia um trailer onde eu sempre parava como “saideira”. O melhor espetinho que já saboreei. Uma latinha de Antarctica com a carne gostosa pois em casa era entrar e dormir. Mas certa vez deu zebra. Quando eu me encontrava na Varjota fui assaltado por quatro malandros. Dinheiro não tinha, os documentos eles “gentilmente” me devolveram, mas me fizeram voltar para casa só de calça. Afinal, tênis e camisa de banger não são de jogar fora. Essa fatalidade, porém, não tira o brilhantismo da orla de Fortaleza.
A história começa com o conservadorismo de uma gente enraizada no “ouvidizer sobre as damas de Paris”, mas chega à liberdade democrática, que nos permite tomar banho de cueca. A Beira Mar é um encanto, uma obra que não devemos deixar de valorizar. E quem sabe voltemos a tomar umas nas areias ao som do eterno thrash. ( o artigo é de Lucas Jr.) 
♫♥♪ Mucuripe – Belchior e Fágner ♫♥♪
vídeo da canção interpretada por Roberto Carlos e Fágner:♫♥♪ 

            *Joaquim Lucas Júnior
               lucas.junior.370515@facebook.com
               lucasjunior@bnb.gov.br

               Mais, em Fortaleza Nobre: Especial 288 anos – Praças da Cidade 
               http://www.fortalezanobre.com.br/2014/04/especial-fortaleza-288-anos-pracas-da_11.html


sábado, 5 de abril de 2014

Fausto Nilo - Poeta, Músico, Arquiteto, Compositor

Parabéns ao Arquiteto da Poesia e da Música!
Fausto Nilo Costa Junior, nasceu em 5/4/1944 Quixeramobim/CE 
Letrista. Arquiteto com escritório em Fortaleza, capital do Ceará, onde fixou-se a partir da década de 1970.
 Iniciou sua carreira profissional na década de 1970,  quando conheceu o Pessoal do Ceará, tendo escrito letras para Fagner, Belchior, Petrúcio Maia e Manassés. Em 1972, teve registrado pela primeira vez seu trabalho de compositor, com a gravação de sua música "Fim do mundo"com Raimundo Fagner, por Marília Medalha. Em 1976, iniciou sua parceria com Moraes Moreira. Cinco anos depois ocupou as paradas de sucesso com suas canções "Pequenino cão" e "Pão e poesia", gravadas por Simone, "Eu também quero beijar", por Pepeu Gomes, "Amor nas estrelas", por Nara Leão, "Zanzibar", peo grupo A Cor do Som, "Meninas do Brasil", por Moraes Moreira e "O elefante", por Robertinho de Recife. Compôs "Santa fé", tema de abertura da novela "Roque Santeiro", da TV Globo, interpretada por Moraes Moreira, e o tema de abertura da novela "Pedra sobre pedra", também da  TV Globo.  Autor de mais de 300 músicas gravadas. Ao longo de seus mais de 30 anos de carreira, suas músicas foram registradas ininterruptamente por artistas como Maria Bethânia, Nara Leão, Fagner, Gal Costa, Elba Ramalho, Moraes Moreira, Ednardo, Pepeu Gomes, Ney Matogrosso, Amelinha, Simone, Chico Buarque, Baby Consuelo, Lulu Santos, Ana Karan, Geraldo Azevedo, Caetano Veloso, A Cor do Som, Zé Ramalho e Cidade Negra, entre outros.  Vive em Fortaleza, onde trabalha em seu escritório de arquitetura e urbanismo.   Registrou, com sua própria voz, uma parte de sua obra no CD "Esquinas do deserto", gravado em 1994, quando da comemoração aos 50 anos do letrista, sob o patrocínio da Fundação Demócrito Rocha, em Fortaleza. Em 1996, sua composição "Letras Negras", (com Geraldo Azevedo) foi gravada por Fagner, no CD "Fagner", lançado pela BMG Brasil. Em 1998 teve as composições "Astro vagabundo", "Horas azuis", "Retrovisor", parcerias com Fagner, e "Retrato marrom", parceria com Rodger Rogério, gravadas pelo cantor cearense Fagner. Em 2000 teve a composição "Hoje amanhã", parceria com Geraldo Azevedo, gravada por este último em CD com o mesmo título. Em 2001 compôs com Fagner as músicas "O vinho" e "Jardim dos animais", gravadas por Fagner na Sony. Em 2003, "Canhoteiro" (c/ Zeca Baleiro e Celso  Boges) foi gravada por Fagner e Zeca Baleiro, no CD "Fagner e Zeca Baleiro", lançado pela Indie Records. Em 2004, teve as músicas "Dezembros" (c/ Fagner); "Rosa da China" (c/ Fagner); e "Palavras e Silêncios" (c/ Zeca Baleiro), gravadas por Fagner, no CD "Donos do Brasil", lançado pela Indie Records. Em 2007, "Esquina do Brasil" (c/ Evaldo Gouveia), foi gravada por Fagner, no CD "Fortaleza", lançado pela Som Livre. No mesmo ano, suas músicas com Dominguinhos "Ninguém é melhor que você" e "Casa tudo azul" foram gravadas por Liv Moraes, filha de Dominguinhos. Em 2012, teve sua música "Cartaz" (c/ Francisco Casaverde) gravada pela dupla sertaneja Jorge e Mateus, no DVD "A hora é agora", lançado pela  Som Livre.  
_Fonte: http://www.dicionariompb.com.br/fausto-nilo
  ═══╗ 5 de abril - Web Rádio NelSons homenageia
║███║ 70 anos do compositor cearense Fausto Nilo
(●) Amig@s da Música parabeniza o Artista.
╚═══╝╔♪http://radio.nelsons.com.br/
♥♪Parabéns ao Arquiteto da Poesia e da Música! ♫♥